Segunda-Feira, 26 de Junho de 2017
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História da Cidade





RESUMO HISTÓRICO DE SANTANA DOS BREJOS

 

1675 – O ACHAMENTO

 

Tudo começou quando em 1550, o imperador Dom João III, doou a Garcia D’Ávila, protegido de Tomé de Souza, 60 léguas de terras da costa para o sertão baiano com a missão de desbravá-las e domesticar os índios. Logo ele construiu um castelo e nele uma torre, em Tatuapara – Camaçari (BA). A construção ficou conhecida como o Castelo ou Casa da Torre; dali o mar era vigiado e conforme sinaleiros as autoridades eram alertadas dos perigos, assim ele foi ganhando confiança e mais terras do Império.

O imperador queria os selvagens civilizados e aprendendo táticas de guerras. Com o andar do tempo Garcia D’Ávila tornou-se o primeiro bandeirante do sertão baiano.

Em 1552, ele já possuía 200 rezes; anos mais tarde recebeu a incumbência do rei para abrir um caminho que ligasse o litoral norte com o litoral sul, ou seja, de Pernambuco, cruzando o sertão baiano chegando até Minas Gerais e São Paulo, visto que a via litorânea tornara-se muito perigosa devido, aos constantes assaltos de corsários e piratas aos navios, principalmente os mercantes na costa brasileira. A solução seria o caminho do gado. Garcia D’Ávila formou um grupo bem armado e foi avançando sertão adentro em forma de leque, margeando a faixa litorânea norte, saindo de Salvador. Ele foi desbravando matas, aprisionando e dizimando índios, retalhando a etnia indígena, formando currais de gado deixando pequenos núcleos de povoamento pelo caminho.

Em 1560, já estava em Conde, em 1565 em Irará,  Garcia D’Ávila faleceu em 1609 aos 90 anos de idade.

Seu neto, Francisco Dias D’Ávila – o Segundo Senhor da Torre, continuou a abrir caminho no mesmo sistema do avô. Em 1624, seus índios domesticados ajudaram a expulsar os holandeses, quando do ataque à Bahia. Com isso, o rei Felipe II deu-lhe um alvará que o permitia penetrar no sertão sem intervenção dos governantes.

O Quarto Senhor da Torre Acha Santana dos Brejos

Francisco Dias D’Ávila, o segundo deste nome (tetraneto de Garcia), e descobridor de Santana, continuou com a mesma tradição da família. Em 1640, já havia descoberto Jeremoabo. Depois disso, entrou em confronto com os jesuítas por sua perseguição desenfreada contra os índios, até os aldeados que eram presas fáceis.

Em 1670, Francisco chegou a Juazeiro, quando já tinha 140 fazendas de gado bovino, ali ficou sendo o portal de entrada da velha estrada: caminho do gado e do ouro.

O Senhor da Torre continuou subindo o rio São Francisco explorando seu leito e suas margens, abrindo o caminho fluvial e o terrestre. Ali ele recebeu um pequeno contingente com ordens do Império para acabar com a revolta indígena entre Cariri, Acroá ou Pimenteira, era 1673, chefiando a bandeira de extermínio desses índios, ele comandou uma expedição de 100 homens e outro tanto de índios Rodelas, aldeados. Investiram à margem direita do São Francisco, na foz do rio Verde, perto da cidade da Barra do Rio Grande. No ataque foram destroçadas 60 canoas e mortos 400 índios,; alguns sobreviventes conseguiram fugir na madrugada subindo o São Francisco sob chamas, entraram no rio Corrente e foram se esconder na Gruta da Pedra Escrevida, na serra das Porteiras – município de Santana, conforme os típicos caracteres ideográficos, antropomorfos, zoomorfos, analisados pelos arqueólogos Carlos Hartt , Von Martius, além de Teodoro Sampaio, dentre outros. Foram os índios acroá e pimenteira do tronco tupi.

O Cel. Francisco Dias D’Ávila chegou à Santana dos Brejos, paraíso situado na grande Ribeira, aproximadamente em 1675, montando aí um curral de gado bovino em Salinas, explorando a região durante algum tempo. Ficou admirado com a vastidão de brejos, terras férteis e campos naturais. Depois atravessou o São Francisco e chegou a Santo Antonio do Urubu de Cima (Paratinga), dali continuou subindo o rio, chegando à Carinhanha, penetrou em Minas Gerais, pronto estava aberto o caminho do gado e do ouro. Francisco faleceu na Torre em 1696.

OS PRIMITIVOS DE SANTANA DOS BREJOS

Francisco Dias D’Ávila, sexto Senhor da Torre e o terceiro deste nome, com a morte de Garcia D’Ávila Pereira em 1734, ele herdou os bens da dinastia D’Ávila.

No início de 1750, Francisco entrou em conflito com o arcebispo da Bahia - Monteiro do Vale, por causa das missões indígenas, após muitos debates quando Portugal entrou em crise econômica, o rei nomeou o primeiro-ministro Marquês de Pombal, este expulsou todos jesuítas e outros missionários do Brasil no ano de1759, e todos os bens das missões jesuíticas foram tomados pelo Império. As suas terras, além de grande parte que pertencia aos D’Ávila existentes em Santana dos Brejos foram doadas para entidade do Bom Jesus da Lapa, com a ordem de construir capelas, paróquias e matrizes.Essas terras foram adquiridas em leilão pelo Cel. Francisco Joaquim Flores em 1895.

Os índios tupiniquim descendentes dos fugitivos do massacre de Ilhéus, em março de 1560, chefiado pelo terceiro governador-geral – Mem de Sá. Alguns desses poucos sobreviventes fugitivos, chegaram até algumas regiões do Oeste da Bahia. Alguns galhos deste tronco se espraiaram por toda Ribeira como Angical, Santana dos Brejos e outros pontos bem longe do litoral.

Quando Francisco Dias D’Ávila achou Santana ele encontrou a aldeia missão tupiniquim na região da Baixa Funda, conhecida até hoje como Missão. Não é necessário dizer que Santana é o berço dos tupiniquim. Entretanto, com expulsão dos missionários, o gentio já semi-civilizado ficou indefeso, sem comando e sem proteção, tornando-se presa fácil para os desbravadores. Quem não sujeitou a escravidão, fugiu para o Mato Grosso.

DESBRAVAMENTO E COLONIZAÇÃO

Ao findar do Século XVII, movidos pela febre do ouro uma avalanche de aventureiros portugueses, boiadeiros, mercadores de escravos, vendedores que, de Pernambuco iam às Minas Gerais pelo caminho do ouro e do gado, no qual Santana dos Brejos está situada no centro, e era pouso obrigatório para quem por ele passasse. Esses viajantes ficavam maravilhados com tanta paz, uma vastidão de sesmarias, fauna sem igual, uma flora invejável, composta por madeiras de lei e uma fartura diversificada de peixes.

O lugar margeado pelo Rio Corrente, com o seu piso verde, salpicado de lagoas e olhos d’água e riscado por vários córregos e riachos. Assim, Santana dos Brejos começou a ser desbravada e colonizada com a construção de currais de gado e sítios de cana-de-açúcar. A carne de charque era vendida nas Minas Gerais, região das pedras preciosas, a peso de ouro.

Com a invasão de aventureiros lusitanos, o sexto Senhor da Torre – Francisco Dias D’Ávila enviou para Santana dos Brejos o sargento-mor Antonio da Costa Xavier, na década de 1760, para tomar conta das terras, ele veio com alguns homens e a missão de cobrar taxas dos posseiros e rendeiros, além de dar segurança aos moradores, viajantes e boiadeiros, contra a indiada assanhada. Os desbravadores e colonizadores vinham sem as mulheres, pois, era difícil penetrar no interior do sertão fechado por matas milenares e habitadas pelos mosquitos anofelinos, entretanto, ao chegar à terra indígena eles pegavam uma índia no laço ou a dentes de cachorro pra viver com eles. Sabe-se que a maioria das avós santanenses eram índias.

No decorrer do Século XVIII, com a expansão do rebanho bovino e a entrada da cultura da cana-de-açúcar, deu-se a trazida do escravo, braço forte, barato e necessário para o andamento econômico na produção dos brejos. Com a chegada do vapor na década de 1870, a riqueza do município deu um grande salto, tornando-se o maior produtor em todo Vale do São Francisco de cachaça, açúcar mascavo e de rapadura, esta sendo conhecida como a rapadura do Corrente.

O solo de Santana dos Brejos, apropriado para a cultura canavieira, com isso  ostenta o título “Ciclo Eterno do Ouro Doce”.

Em meados do Século XX o município de Santana contava com 800 engenhos de cana-de-açúcar.

De 1870 a 1922, o município viveu sob o domínio do coronelismo. Seu mandatário foi o coronel Francisco Joaquim Flores, comandando o lugar com mãos de ferro, entre 1890 até a sua morte até 1922, não aceitou eleições em Santana.

Houve somente uma eleição municipal em 16 de dezembro de 1890, um acordo para selar a paz no lugar, visto que Santana sofreu uma guerra com saldo de mais de 50 mortos e muitos feridos, tudo pelo domínio de Santana dos Brejos, lutas entre o Cel. Flores de Santana e o Tenente-coronel Norberto Nunes da Silva de São Gonçalo (serra Dourada), que já era distrito do município. A guerra foi no período de 1885 e 188. Esses entreveros só tiveram fim, com a intervenção do governador da Bahia que enviou o deputado César Zama para apaziguar a região.

O acordo foi o seguinte:

Santana dos Brejos seria elevada à categoria de vila em 25 de agosto de 1890, e no dia 16 de dezembro desse ano, ela seria instituída com a primeira eleição municipal sendo o cel. Flores eleito intendente (prefeito), e o Ten-cel. Norberto Nunes da Silva - Juiz de Paz.

Em 25 de abril de 1901 com a Lei 410, Santana dos Brejos foi emancipada, ou seja  elevada à condição de cidade.

Educação - Fase Áurea – Exposição

A educação no Vale do Corrente rastejava, os alunos estudavam em casas particulares com professores leigos. Somente a partir de 1930, começaram a surgir professores diplomados. Na década de 1940, com a chegada do padre Félix Antunes de Souza, Santana começou a dar os primeiros passos na educação. Já em 1950 esse religioso fundou o Educandário Diocesano Sant’Ana, que veio a ser o primeiro centro educacional da região, com isso, atraindo estudantes e famílias de todos os municípios circunvizinhos para Santana. Desse ninho educacional saíram muitos professores prontos para ensinar em seus berços, a difícil e honrosa missão de mestre. Também  muitos filhos de Santana foram ensinar e morar fora depois de formados. Santana viveu em meados do Século XX, a sua fase áurea: na década de 1960, com o surgimento das exposições e feiras de animais de todo Médio São Francisco, Santana foi a escolhida para sediar este importante evento em todo mês de julho, o que foi o melhor festejo regional não religioso do Vale do Oeste baiano, atraindo mais de 10 mil pessoas fazendo dessas semanas encontros de confraternizações. A exposição de Santana foi bicampeã nacional em comercialização. É importante saber que na ocasião o município possuía algo em torno de 160 mil rezes.

Santana ainda é atapetada com vastos canaviais e pastagens. E o seu cerrado (gerais), recheados de frutas silvestres como: ananás, pequi, caju, coco, buriti, cagaita e o cascudo.

A região da Cachoeira é conhecida como seleiro de Santana, ali está a maior produção de hortifrutigranjeiros.

Atualmente, dentre os pilares de sua economia, estão: a cana-de-açúcar grande fornecedora de trabalho, desde o plantio cultivo, produção e escoamento.

A pecuária desde a formação de pastagens, criação do gado de corte e leite, gerando centenas de empregos diretos e indiretos. Hoje o município conta com mais de 50 açougues com instalações higiênicas e modernas, e são abatidas algo em torno de 400 rezes/mês.

Vilmar Teixeira de Souza - Prefeitura Municipal de Santana (Historiador).

 



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